A Vida Me Chamou Pra Morrer // Processo.01
- Desva
- 22 de fev.
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O luto, comumente associado à perda de um familiar ou amigo, também pode ser vivenciado subjetivamente ao experimentarmos a perda do nosso modo de ser e estar no mundo. Na série A Vida Me Chamou Pra Morrer, na qual trabalho há quase 1 ano, convido a mim e a todos que desejarem a refletir sobre as mortes psíquicas às quais estamos sujeitos durante a nossa vida e, até mesmo, quando possível, ritualizar o adeus.
No último ano, senti meu eu se retorcendo, se questionando e se desmantelando sobre meu próprio existir. Uma intensa experiência de morte em vida, percebida num espanto prolongado de 12 meses. Sabe quando contemplamos os restos mortais das nossas próprias convicções a respeito do nosso eu mais profundo e também social? Desfazendo o que somos, o que pensamos ser, o que poderíamos ser?
Como viver a travessia do absurdo em um corpo físico vivo junto a uma lógica de pensamento sobre si mesmo e o mundo, que inicia um processo de reconfiguração do eu e assiste seu próprio padecimento de forma simultânea? Nas ocasiões em que o aniquilamento convoca a matéria no seu processo de realização, é preciso narrar a própria morte, não como uma forma de lamento, mas um jeito de rearticular o viver, o estar e o expressar no mundo.
“Rituais podem ser definidos como técnicas simbólicas de encasamento. Transformam o estar-no-mundo em um estar-em-casa. Fazem do mundo um local confiável. São no tempo o que uma habitação é no espaço. Fazem o tempo se tornar habitável. Sim, fazem-no viável como uma casa.” (Byung-Chul Han em O Desaparecimento dos Rituais).


"Dar vida ao estranho é o que inspira o espírito"
Byung-Chul Han

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