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A Vida Me Chamou Pra Morrer // Processo.03

  • Foto do escritor: Desva
    Desva
  • 6 de mar.
  • 1 min de leitura




Quando acontece a perda, levamos um susto. Frequentemente, também surge a sensação de que a vida ficou sem território e que a palavra se esgotou, mesmo sem termos feito nenhum pronunciamento. Como compartilhar algo com alguém quando recém se perdeu a identidade, alguma função, ou o próprio modo de existir e nos encontramos num período prolongado de susto? Quando o luto está ali, presente, gigantescamente e, ao mesmo tempo, mudo?


Durante a leitura do livro “Ficar com o Problema: fazer parentes no Chthluceno” de Donna Haraway, no ano passado, me deparei com alguns trechos e expressões que me deixaram intrigada e com os olhos mais atentos ao meu redor, alterando depois e, agora também, minha experiência e perspectiva sobre o modo de atravessar o luto:


_ Sobrevivência colaborativa


_ Outros seres vivos também vivem o luto


_ Aprender e afetar-se


_ Longe dos duvidosos privilégios do excepcionalismo humano, as pessoas pensantes precisam a aprender a enlutar-se com;


_ Sem uma rememoração sustentada, não conseguimos aprender a viver com os fantasmas e, portanto, não conseguimos pensar. Como os corvos e com os corvos, vivos e mortos, “estamos em jogo em mútua companhia”;


_ As abordagens sintonizadas com o “devir-com multiespécie” nos oferecem mais suporte para ficar com o problema na Terra.


Foi a partir disso que comecei a criar uma relação com as formigas.




"Longe dos duvidosos privilégios

do excepcionalismo humano,

as pessoas pensantes precisam

aprender a enlutar-se com"


Donna Haraway em Ficar com o problema: fazer parentes no Chthluceno




 
 
 

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